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Dezembro 21, 2007

Poesias de Genildo Mota Nunes

Dezembro 8, 2007

Ponto Final (Genildo Mota Nunes)

Estava ali, como uma bola parada.
E, a cada momento, eu via no seu olho
a vontade de querer parar o mundo em si.
Longo caminho onde a rosa se move
Como um floco de neve viajante do vento,
Triste estrada sem se esperar o porvir.
Estava ali, e os olhos doíam de partida.
E a noite se fazia mais negra e mais vadia
Como um cachorro vagabundo e solitário
Parado na rua, à espera da morte,
Molhado de cores e de cubos de Dali.

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Tristeza (Genildo Mota Nunes)Pergunta à noite
Pelos segredos,
Pelos teus medos
(Onde estarão?)
Pela fragrância
Das boas horas…
Pelos amores
Que nascerão.
Pergunta à noite
Por ti, por mim,
Se já viu fim
Numa emoção.
Pergunta a ela
Pela poesia
De todo dia
Sermos paixão!
Ela dirá,
Tenho certeza,
Numa tristeza
De escuridão,
Que neste mundo
Nada é eterno
Se após o inverno
Volta o verão.

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Teus Olhos (Genildo Mota Nunes)Ó doce amada e tão linda,
São teus olhos duas luas,
Desejos das minhas ruas,
Ruas do meu triste amar!
Quem me dera, cedo ainda,
Minhas noites fossem tuas,
Fossem tuas minhas ruas
Tão carentes de luar!

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Flores (Genildo Mota Nunes)Não quero que a vida
Me pegue na estrada
Qual folha caída,
Perdida no vento.
Nem quero que o tempo
A correr lá fora
Nas asas da tarde
Me faça partir.
Há um desejo estranho
De sonho e de luzes
Nos olhos da face
De quem quer viver.
E a flor despetala
Nas mãos de quem perde
Por força dos fatos
A vez de sorrir.
Por isso é que tento
Compondo meus versos
Ouvir nos espaços
As vozes do ser…
Vagar pelas tardes
E pelos canteiros
No pólen das almas
Que podem sentir.

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Objetivo (Genildo Mota Nunes)Nos confins do Universo,
Mora uma alma encarnada.
Dentro dess’alma um verso,
Dentro do verso uma estrada…
Nos confins dessa estrada,
Mora algo pequenino.
Dentro do algo, uma escada.
E, na escada, o destino.

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Clareza (Genildo Mota Nunes)Uma lua havia.
Quando as estrelas beijavam o céu.
Uma lua havia.
Quando, para todos, eu tirava o chapéu.
Uma lua havia.
Havia, hoje não há mais.

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Poemas – Manuel Bandeira

Dezembro 8, 2007

Desencanto (Manuel Bandeira)

Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre.

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Vou-me Embora pra Pasárgada (Manuel Bandeira)Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

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Testamento (Manuel Bandeira)

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros – perdi-os…
Tive amores – esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.
Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!… Não foi de jeito…
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde…
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!

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Carta-Poema (Manuel Bandeira)

Excelentíssimo Prefeito
Senhor Hildebrando de Góis,
Permiti que, rendido o preito
A que fazeis jus por quem sois,
Um poeta já sexagenário,
Que não tem outra aspiração
Senão viver de seu salário
Na sua limpa solidão,
Peça vistoria e visita
A este pátio para onde dá
O apartamento que ele habita
No Castelo há dois anos já.
É um pátio, mas é via pública,
E estando ainda por calçar,
Faz a vergonha da República
Junto à Avenida Beira-Mar!
Indiferentes ao capricho
Das posturas municipais,
A ele jogam todo o seu lixo
Os moradores sem quintais.
Que imundície! Tripas de peixe,
Cascas de fruta e ovo, papéis…
Não é natural que me queixe?
Meu Prefeito, vinde e vereis!
Quando chove, o chão vira lama:
São atoleiros, lodaçais,
Que disputam a palma à fama
Das velhas maremas letais!
A um distinto amigo europeu
Disse eu: – Não é no Paraguai
Que fica o Grande Chaco, este é o
Grande Chaco! Senão, olhai!
Excelentíssimo Prefeito
Hildebrando Araújo de Góis
A quem humilde rendo preito,
Por serdes vós, senhor, quem sois!
Mandai calçar a via pública
Que, sendo um vasto lagamar,
Faz a vergonha da República
Junto à Avenida Beira-Mar!

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Poemeto Erótico (Manuel Bandeira)

Teu corpo claro e perfeito,
- Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha…
Teu corpo é tudo o que cheira…
Rosa…flor de laranjeira…
Teu corpo, branco e macio,
É como um véu de noivado…
Teu corpo é pomo doirado…
Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume…
Teu corpo é a brasa do lume…
Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama…
Volúpia de água e da chama…
A todo momento o vejo…
Teu corpo… a única ilha
No oceano do meu desejo…
Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira…
Rosa, flor de laranjeira…

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Renúncia (Manuel Bandeira)

Chora de manso e no íntimo… Procura
Curtir sem queixa o mal que te crucia:
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.
Só a dor enobrece e é grande e é pura.
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será, ela só, tua ventura…
A vida é vã como a sombra que passa…
Sofre sereno e de alma sobranceira,
Sem um grito sequer, tua desgraça.
Encerra em ti tua tristeza inteira.
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira…

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Arte de Amar (Manuel Bandeira)

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

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Amor e Poesias

Dezembro 7, 2007

Blog dedicado a poesias de todo o mundo voltadas ao amor.

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Dezembro 7, 2007

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